Meus dois centavos sobre procrastinação

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Esse é um assunto meio batido, eu sei. Ao adentrar qualquer livraria por aí, ao pesquisar sobre trabalho no YouTube ou Instagram, o que não faltam são livros, vídeos, posts e mais posts sobre como ser mais produtivo, como se organizar, como parar de procrastinar até as tarefas mais básicas…

Nenhuma dessas “dicas” jamais funcionou pra mim. Não consigo levantar antes das 10h se não colocar três ou quatro alarmes no celular; não consigo manter uma agenda preenchida por mais de duas semanas; não tomo café, nem nada que me ajude a ficar “ligada”; e possuo uma grande, imensa dificuldade em realizar qualquer tarefa que não me traga o mínimo de prazer, que eu não veja sentido, ou que eu simplesmente não queira, mesmo.

Depois de anos e anos travando uma batalha árdua com meu cérebro, gastando dinheiro em agendas, planners e afins que acabavam jogados num canto da gaveta, virando a noite para entregar trabalhos em cima do prazo, acabei percebendo algumas coisas sobre o funcionamento da minha mente; coisas que na verdade são até bem óbvias, mas talvez a minha insistência em procurar a resposta fora (em vídeos e listas de dez passos), e não dentro de mim tenha me impedido de enxergar antes.

Percebi que tenho, por falta de uma palavra melhor, medo de realizar certas tarefas. Inconscientemente, acabo acreditando que aquilo vai ser extremamente difícil, vai me custar uma imensa quantidade de energia e tempo. A isso, junta-se meu perfeccionismo (que é só mais uma desculpa que nós inventamos para procrastinar) e minha síndrome do impostor, que me dizem que não tenho o conhecimento ou a capacidade para realizar o trabalho, que nada do que eu possa fazer vai ficar bom o bastante. Para fechar, vem a autocobrança e o medo do julgamento alheio. Sempre acho que poderia ter feito melhor, que não usei a minha total capacidade, e tenho certeza que vou ser criticada por isso.

Mas, fora da minha mente paranoica, a realidade se mostra um pouco diferente. Em certos momentos — geralmente quando o prazo de entrega se encontra a menos de 24h de distância — tenho que simplesmente sentar a bunda na cadeira e fazer e, nesse instante, acabo me dando conta de que aquela tarefa não é o bicho de sete cabeças que eu tinha imaginado. Percebo que, quando paro de racionalizar, tentar encontrar motivação ou qualquer coisa do tipo, e apenas faço, a coisa flui muito melhor. Termino um trabalho que achei que demoraria horas em 40 ou 50 minutos; entrego e ninguém me devolve o e-mail me mandando refazer porque ficou uma droga.

Essa é uma observação pessoal, mas que talvez sirva para você também. Muitas vezes, o esforço de tentar é justamente o que pode estar te paralisando. Você já leu todas as dicas, já viu todos os vídeos, todos os artigos de como parar de procrastinar em 10 passos; a resposta não está em procurar ainda mais conteúdos desse tipo. Apenas faça. Não pense, não racionalize, não reclame, não se coloque condições, metas, recompensas ou o que quer que seja. Sente a bunda na cadeira e faça. Depois volte aqui e me conte se tudo não fluiu muito mais facilmente :)

Se identificou com o texto? Então deixe suas palminhas e compartilhe com aquele amigo procrastinador :)

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Bióloga por formação, escritora por paixão.

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Letícia Arcanjo

Letícia Arcanjo

Bióloga por formação, escritora por paixão.